História do Seguro
INÍCIO DA ATIVIDADE SEGURADORA NO BRASIL
A atividade seguradora no Brasil teve início com a abertura dos portos ao comércio
internacional, em 1808. A primeira sociedade de seguros a funcionar no país foi
a "Companhia de Seguros BOA-FÉ", em 24 de fevereiro daquele ano, que tinha por objetivo
operar no seguro marítimo.
Neste período, a atividade seguradora era regulada pelas leis portuguesas. Somente
em 1850, com a promulgação do "Código Comercial Brasileiro" (Lei n° 556, de 25 de
junho de 1850) é que o seguro marítimo foi pela primeira vez estudado e regulado
em todos os seus aspectos.
O advento do "Código Comercial Brasileiro" foi de fundamental importância para o
desenvolvimento do seguro no Brasil, incentivando o aparecimento de inúmeras seguradoras,
que passaram a operar não só com o seguro marítimo, expressamente previsto na legislação,
mas, também, com o seguro terrestre. Até mesmo a exploração do seguro de vida, proibido
expressamente pelo Código Comercial, foi autorizada em 1855, sob o fundamento de
que o Código Comercial só proibia o seguro de vida quando feito juntamente com o
seguro marítimo. Com a expansão do setor, as empresas de seguros estrangeiras começaram
a se interessar pelo mercado brasileiro, surgindo, por volta de 1862, as primeiras
sucursais de seguradoras sediadas no exterior.
Estas sucursais transferiam para suas matrizes os recursos financeiros obtidos pelos
prêmios cobrados, provocando uma significativa evasão de divisas. Assim, visando
proteger os interesses econômicos do País, foi promulgada, em 5 de setembro de 1895,
a Lei n° 294, dispondo exclusivamente sobre as companhias estrangeiras de seguros
de vida, determinando que suas reservas técnicas fossem constituídas e tivessem
seus recursos aplicados no Brasil, para fazer frente aos riscos aqui assumidos.
Algumas empresas estrangeiras mostraram-se discordantes das disposições contidas
no referido diploma legal e fecharam suas sucursais.
O mercado segurador brasileiro já havia alcançado desenvolvimento satisfatório no
final do século XIX. Concorreram para isso, em primeiro lugar, o Código Comercial,
estabelecendo as regras necessárias sobre seguros maritimos, aplicadas também para
os seguros terrestres e, em segundo lugar, a instalação no Brasil de seguradoras
estrangeiras, com vasta experiência em seguros terrestres.
SURGIMENTO DA PREVIDÊNCIA PRIVADA
O século XIX também foi marcado pelo surgimento da "previdência privada" brasileira,
pode-se dizer que inaugurada em 10 de janeiro de 1835, com a criação do MONGERAL
- Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado -proposto pelo então Ministro
da Justiça, Barão de Sepetiba, que, pela primeira vez, oferecia planos com características
de facultatividade e mutualismo. A Previdência Social só viria a ser instituída
através da Lei n° 4.682 (Lei Elói Chaves), de 24/01/1923.
CRIAÇÃO DA SUPERINTENDÊNCIA GERAL DE SEGUROS
O Decreto n° 4.270, de 10/12/1901, e seu regulamento anexo, conhecido como "Regulamento
Murtinho", regulamentaram o funcionamento das companhias de seguros de vida, marítimos
e terrestres, nacionais e estrangeiras, já existentes ou que viessem a se organizar
no território nacional. Além de estender as normas de fiscalização a todas as seguradoras
que operavam no País, o Regulamento Murtinho criou a "Superintendência Geral de
Seguros", subordinada diretamente ao Ministério da Fazenda. Com a criação da Superintendência,
foram concentradas, numa única repartição especializada, todas as questões atinentes
à fiscalização de seguros, antes distribuídas entre diferentes órgãos. Sua jurisdição
alcançava todo o território nacional e, de sua competência, constavam as fiscalizações
preventiva, exercida por ocasião do exame da documentação da sociedade que requeria
autorização para funcionar, e repressiva, sob a forma de inspeção direta, periódica,
das sociedades. Posteriormente, em 12 de dezembro de 1906, através do Decreto n°
5.072, a Superintendência Geral de Seguros foi substituída por uma Inspetoria de
Seguros, também subordinada ao Ministério da Fazenda.
CONTRATO DE SEGURO NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO
Foi em 1º de janeiro de 1916 que se deu o maior avanço de ordem jurídica no campo
do contrato de seguro, ao ser sancionada a Lei n° 3.071, que promulgou o "Código
Civil Brasileiro", com um capítulo específico dedicado ao "contrato de seguro".
Os preceitos formulados pelo Código Civil e pelo Código Comercial passaram a compor,
em conjunto, o que se chama Direito Privado do Seguro. Esses preceitos fixaram os
princípios essenciais do contrato e disciplinaram os direitos e obrigações das partes,
de modo a evitar e dirimir conflitos entre os interessados. Foram esses princípios
fundamentais que garantiram o desenvolvimento da instituição do seguro.
SURGIMENTO DA PRIMEIRA EMPRESA DE CAPITALIZAÇÃO
A primeira empresa de capitalização do Brasil foi fundada em 1929, chamada de "Sul
América Capitalização S.A". Entretanto, somente 3 anos mais tarde, em 10 de março
de 1932, é que foi oficializada a autorização para funcionamento das sociedades
de capitalização através do Decreto n° 21.143, posteriormente regulamentado pelo
Decreto n° 22.456, de 10 de fevereiro de 1933, também sob o controle da Inspetoria
de Seguros. O parágrafo único do artigo 1 o do referido Decreto definia: "As únicas
sociedades que poderão usar o nome de "capitalização" serão as que, autorizadas
pelo Governo, tiverem por objetivo oferecer ao público, de acordo com planos aprovados
pela Inspetoria de Seguros, a constituição de um capital mínimo perfeitamente determinado
em cada plano e pago em moeda corrente, em um prazo máximo indicado no dito plano,
à pessoa que subscrever ou possuir um título, segundo cláusulas e regras aprovadas
e mencionadas no mesmo título".
CRIAÇÃO DO DNSPC
Em 28 de junho de 1933, o Decreto n° 22.865 transferiu a "Inspetoria de Seguros"
do Ministério da Fazenda para o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. No
ano seguinte, através do Decreto n° 24.782, de 14/07/1934, foi extinta a Inspetoria
de Seguros e criado o Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização
-DNSPC, também subordinado àquele Ministério.
PRINCÍPIO DE NACIONALIZAÇÃO DO SEGURO
Com a promulgação da Constituição de 1937 (Estado Novo), foi estabelecido o "Princípio
de Nacionalização do Seguro", já preconizado na Constituição de 1934. Em conseqüência,
foi promulgado o Decreto n° 5.901, de 20 de junho de 1940, criando os seguros obrigatórios
para comerciantes, industriais e concessionários de serviços públicos, pessoas físicas
ou jurídicas, contra os riscos de incêndios e transportes (ferroviário, rodoviário,
aéreo, marítimo, fluvial ou lacustre), nas condições estabelecidas no mencionado
regulamento.
CRIAÇÃO DO INSTITUTO DE RESSEGUROS DO BRASIL - IRB
Nesse mesmo período foi criado, em 1939, o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB),
através do Decreto-lei n° 1.186, de 3 de abril de 1939. As sociedades seguradoras
ficaram obrigadas, desde então, a ressegurar no IRB as responsabilidades que excedessem
sua capacidade de retenção própria, que, através da retrocessão, passou a compartilhar
o risco com as sociedades seguradoras em operação no Brasil. Com esta medida, o
Governo Federal procurou evitar que grande parte das divisas fosse consumida com
a remessa, para o exterior, de importâncias vultosas relativas a prêmios de resseguros
em companhias estrangeiras.
É importante reconhecer o saldo positivo da atuação do IRB, propiciando a criação
efetiva e a consolidação de um mercado segurador nacional, ou seja, preponderantemente
ocupado por empresas nacionais, sendo que as empresas com participação estrangeira
deixaram de se comportar como meras agências de captação de seguros para suas respectivas
matrizes, sendo induzidas a se organizar como empresas brasileiras, constituindo
e aplicando suas reservas no País.
O IRB adotou, desde o início de suas operações, duas providências eficazes visando
criar condições de competitividade para o aparecimento e o desenvolvimento de seguradoras
de capital brasileiro: o estabelecimento de baixos limites de retenção e a criação
do chamado excedente único. Através da adoção de baixos limites de retenção e do
mecanismo do excedente único, empresas pouco capitalizadas e menos instrumentadas
tecnicamente -como era o caso das empresas de capital nacional -passaram a ter condições
de concorrer com as seguradoras estrangeiras, uma vez que tinham assegurada a automaticidade
da cobertura de resseguro.
CRIAÇÃO DA SUSEP
Em 1966, através do Decreto-lei n° 73, de 21 de 'novembro de 1966, foram reguladas
todas as operações de seguros e resseguros e instituído o Sistema Nacional de Seguros
Privados, constituído pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP); Superintendência
de Seguros Privados (SUSEP); Instituto de Resseguros do Brasil (IRB); sociedades
autorizadas a operar em seguros privados; e corretores habilitados.
O Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização - DNSPC -foi substituído
pela Superintendência de Seguros Privados - SUSEP -entidade autárquica, dotada de
personalidade jurídica de Direito Público, com autonomia administrativa e financeira,
jurisdicionada ao Ministério da Indústria e do Comércio até 1979, quando passou
a estar vinculada ao Ministério da Fazenda.
Em 28 de fevereiro de 1967, o Decreto n° 22.456/33, que regulamentava as operações
das sociedades de capitalização, foi revogado pelo Decreto-lei n° 261, passando
a atividade de capitalização a subordinar-se, também, a numerosos dispositivos do
Decreto-lei n° 73/66. Adicionalmente, foi instituído o Sistema Nacional de Capitalização,
constituído pelo CNSP, SUSEP e pelas sociedades autorizadas a operar em capitalização.
Fonte: Anuário Estatístico da SUSEP 1997